sexta-feira, 3 de abril de 2026

STRIX: A figura tradicional das bruxas primordiais e porque elas são perigosas

 Por Draco Stellamare



Il Barbagianni - Valentine Cameron Prinsep (1838-1904)

Começo a escrita deste texto proclamando o meu mais absoluto respeito e temor reverencial àquelas que são a primeira corporificação manifesta do útero do qual tudo surgiu, Senhoras dos pássaros e da noite, que se assentam sobre a copa da Figueira e assistem aos encontros e desencontros da vida terrena. Que minhas palavras escritas sejam condizentes com a dignidade daquelas que são proferidas pela minha boca, e daquelas que ecoam nos meus pensamentos, oriundas de meu coração.

Muito se fala sobre a palavra strix como a raiz mais provável da própria terminologia strega (bruxa, em italiano), e variantes como strie (friulana centro-oriental) e striga (em dialeto liventino). Contudo, noto que há pouca clareza sobre o significado dessa palavra e o que ela veio a designar a partir de sua evolução em diferentes tradições mediterrâneas. Parte dessa falta de clareza, partilhada por outras vertentes, induz os piores problemas que as pessoas conseguem para si mesmas quando cruzam o caminho da bruxaria e agem com despreparo, intencional ou acidental. A razão deste texto, escrito após eu ter de lidar mais vezes do que gostaria com a pacificação das “avós da criação” visando a saúde comunitária, é permitir que informações seguras e responsáveis cheguem a quem não deseja ser parte do problema.