segunda-feira, 7 de setembro de 2026

DIABO: Parte III – Ritos e magia

Por Draco Stellamare

Para finalizar este texto, nesta terceira parte iremos abordar alguns aspectos mais ritualísticos e pragmáticos da presença diabólica nas nossas tradições, fazendo um apanhado sobre pactos, relacionamento quotidiano e métodos feiticeiros ligados ao Diabo. O tema dos “pactos” é um que assombra até mesmo pessoas da comunidade ocultista, então parece um bom ponto para começar.




É necessário alertar que nem tudo que será aqui descrito é praticado exatamente dessa forma em nosso contexto, inclusive porque nem tudo pode ser dito, e também porque várias coisas que foram comuns às bruxarias no passado hoje são inviáveis pela lei ou pelos próprios modos de vida da modernidade. Nada aqui tem o intuito de encorajar práticas perigosas ou possam ter implicações legais para os envolvidos. Portanto, que o leitor receba essas informações apenas como ensinamento teórico a respeito de práticas tradicionais que somente terão sentido se contextualizadas em cada caminho, trajetória e bom senso.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DIABO: Parte II - Mitos e folclore em nossa tradição

 Por Draco Stellamare

"...da la catena tua xe libero"

Na primeira parte deste texto abordei alguns aspectos gerais sobre quem ou o que pode ser considerado o “Diabo das Bruxas”. Como tudo que se esforça para atingir alguma amplitude, percebemos que há diferentes possibilidades a considerar e eu reconheço que num primeiro momento isso pode dar a impressão de ser uma retórica vaga. Agora, nesta Parte II, irei favorecer o contexto mítico e folclórico do diabo em nossa tradição, fazendo pontuais expansões convenientes para outras áreas.



Muito do que será aqui tratado foi abordado em meu ensaio O Verdadeiro Evangelho das Bruxas, na antologia A Arte Inominada, publicada pelo selo Tria Sabbatica. Nele, tratei de destrinchar uma parcela significativa da importância do Gênesis bíblico em algumas bruxarias e o caráter tanto primordial quanto opositor e ctônico de Lucifero em nossa cosmovisão. Nesta Parte II irei revisitar alguns destes conceitos em alguns momentos, porém de modo mais restrito e não atrelado às outras sendas de mitologia que formam a cosmovisão da bruxaria tradicional – para quem desejar conhecer essa abordagem, recomendo fortemente o ensaio indicado.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

DIABO: Parte I - Quem ou o que é o “Diabo das Bruxas”

 Por Draco Stellamare

É impossível desassociar totalmente o imaginário da bruxaria europeia da figura do Diabo. Seja como sujeitos de um pacto no qual se vende a própria alma ou como combatentes exorcistas, as bruxas sempre estiveram em contato com essa figura. Isso é atestado por evidências históricas que ultrapassam a tese da “distorção inquisitorial” e adentram o que se sabe sobre o imaginário popular de séculos passados. Ao confrontar este fato, muitos adeptos da bruxaria moderna preferem interpretar o Diabo como uma divindade pagã, pura e simplesmente, atribuindo-lhe contornos mais suaves. Por sua vez, os buscadores de uma bruxaria mais tradicional ou mais alinhada às raízes antigas desta senda enfrentam um outro problema: a infinidade de interpretações possíveis sobre a figura diabólica, e as confusões e desconhecimentos que se camuflam no meio delas.



Já colaborei com a produção de um vídeo sobre o assunto – hoje não mais disponível publicamente por decisões pessoais – mas sinto que minha fala na ocasião foi mais aberta e superficial do que deveria. Talvez ela tenha sido adequada na época para as pessoas que nos seguem, muitas das quais estavam tomando ali um primeiro contato com visões tradicionais de bruxaria. Contudo, a questão diabólica está longe de ser um assunto feito para grandes públicos, e pode ser explorada de formas mais específicas e talvez mais úteis aos buscadores realmente vocacionados para um caminho tradicional. Portanto, decidi escrever este texto onde abordarei de uma forma mais concisa essa questão, dando mais espaço ao que pode ser dito de uma perspectiva propriamente bruxa e listando fontes de estudo ao final de cada parte para quem deseja se aprofundar em algum dos aspectos abordados. Como sempre, é bom começar lembrando que essa é a minha visão, baseada em minha história e estudos, e ela (assim como nenhuma outra) jamais esgotará o assunto.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O Perfume

A história abaixo foi inspirada nas visões de um sonho-ritual.
E eu a considero um renascimento hodierno de algo que foi ouvido, muito tempo atrás.



    Havia um príncipe, num certo país, que se deleitava todas as noites com uma jovem diferente.

    Para garantir que sempre houvesse uma moça jovem e atraente em sua cama, justas somas de dinheiro eram pagas às famílias que oferecessem a virgindade de suas donzelas para o insaciável príncipe.

terça-feira, 5 de maio de 2026

O Arregaço Cognitivo de nossos Tempos

 Por Draco Stellamare



Vanitas contemporânea, propositalmente feita por IA.

Sou uma pessoa com dois grandes polos de vida pública. O primeiro é o trabalho de autor de artigos e livros – aliado à ponderada visibilidade que meu posto de Magister exige – que me faz em algum nível ser conhecido pelos leitores e membros mais atentos da comunidade ocultista. O segundo, por sua vez, é a minha atuação profissional no meio corporativo, onde encontro e dialogo com material escrito de diversos departamentos de grandes empresas. Em ambos os polos, venho enfrentando um assunto nauseante, incômodo, e verdadeiramente necessário de ser debatido. Trata-se de um fenômeno ocasionado pela acessibilidade crescente das tecnologias de Inteligência Artificial, e que resolvi chamar conforme o título desse texto de um verdadeiro arregaço cognitivo.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

STRIX: A figura tradicional das bruxas primordiais e porque elas são perigosas

 Por Draco Stellamare



Il Barbagianni - Valentine Cameron Prinsep (1838-1904)

Começo a escrita deste texto proclamando o meu mais absoluto respeito e temor reverencial àquelas que são a primeira corporificação manifesta do útero do qual tudo surgiu, Senhoras dos pássaros e da noite, que se assentam sobre a copa da Figueira e assistem aos encontros e desencontros da vida terrena. Que minhas palavras escritas sejam condizentes com a dignidade daquelas que são proferidas pela minha boca, e daquelas que ecoam nos meus pensamentos, oriundas de meu coração.

Muito se fala sobre a palavra strix como a raiz mais provável da própria terminologia strega (bruxa, em italiano), e variantes como strie (friulana centro-oriental) e striga (em dialeto liventino). Contudo, noto que há pouca clareza sobre o significado dessa palavra e o que ela veio a designar a partir de sua evolução em diferentes tradições mediterrâneas. Parte dessa falta de clareza, partilhada por outras vertentes, induz os piores problemas que as pessoas conseguem para si mesmas quando cruzam o caminho da bruxaria e agem com despreparo, intencional ou acidental. A razão deste texto, escrito após eu ter de lidar mais vezes do que gostaria com a pacificação das “avós da criação” visando a saúde comunitária, é permitir que informações seguras e responsáveis cheguem a quem não deseja ser parte do problema.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Koščej, Qáyin, Quaresma e outros pensamentos

Por Draco Stellamare



Vanitas

Embora os mortos possam eventualmente ter uma clara ideia de como foi sua transição para o além-túmulo, eu cheguei à conclusão de que só é capaz de entender a morte aquele que é imortal. Pode parecer contraditório, e da maioria dos pontos de vista certamente é, mas tenho boas razões para concluir isso, e deixarei a cargo do leitor pensar o que quiser a esse respeito. Ao contrário do que pode parecer quando falamos de alguém que tem o péssimo hábito de debater suas convicções, eu não desejo colonizar o pensamento alheio.