Poema de Caio Palù
Oh
Deus de meus pais, e dos pais de meus pais
Não
me abandone, não se afaste de mim!
Pois
eu me lembro de tua face hoje ainda mais
Do
que nos idos de tormentos passados, sem fim.
Tua
face incognoscível, bela e terrível,
Tal
qual a face de meus pais, e dos pais destes,
Elo
por elo de uma corrente infindável
Que
remonta ao barro e aos fogos celestes.
Como
a junção das raças de Samael e Adão,
Fomos
lançados no mundo a manter o girar da roda
Arando
a terra e ceifando a erva para obter o pão
Sangrando,
gemendo e chorando, tentando alcançar a corda
[da
salvação]
A
corda essa, urdida dos fios dourados acobreados
fiados
na roca de prata de Nossa Senhora
Ergue
os fortes por sobre a Árvore da Vida, extasiados
Para
o Absoluto orgasmo e o mar que tudo devora
Clamo
ao Senhor, Deus do Universo
Incompreensível
aos ouvidos da razão
Vejo-Te
com o tato de um toque inverso
Sinto-Te
com os olhos do Coração!
E
minha alma se rasga, de dor e de tristeza
Pois
se ainda o vejo no mundo, não mais o encontro em meus irmãos
Raros
são os olhos em que se reflete Tua beleza
Mais
raras ainda a carne que imite o movimento de Tuas mãos!
Oh
Deus, não me esqueça, por que eu não me esqueço de Ti
Meu
corpo é atavismo, minha alma memória,
E
meu coração lembrança e amor
Todos
os três Submissos a Ti, em glória,
Tal
qual a abelha se submete à Flor.
05/05/2026