Por Draco Stellamare
É impossível desassociar
totalmente o imaginário da bruxaria europeia da figura do Diabo. Seja como
sujeitos de um pacto no qual se vende a própria alma ou como combatentes
exorcistas, as bruxas sempre estiveram em contato com essa figura. Isso é
atestado por evidências históricas que ultrapassam a tese da “distorção
inquisitorial” e adentram o que se sabe sobre o imaginário popular de séculos
passados. Ao confrontar este fato, muitos adeptos da bruxaria moderna preferem
interpretar o Diabo como uma divindade pagã, pura e simplesmente,
atribuindo-lhe contornos mais suaves. Por sua vez, os buscadores de uma
bruxaria mais tradicional ou mais alinhada às raízes antigas desta senda
enfrentam um outro problema: a infinidade de interpretações possíveis sobre a
figura diabólica, e as confusões e desconhecimentos que se camuflam no meio
delas.
Já colaborei com a produção de um vídeo sobre o assunto – hoje não mais disponível publicamente por decisões pessoais – mas sinto que minha fala na ocasião foi mais aberta e superficial do que deveria. Talvez ela tenha sido adequada na época para as pessoas que nos seguem, muitas das quais estavam tomando ali um primeiro contato com visões tradicionais de bruxaria. Contudo, a questão diabólica está longe de ser um assunto feito para grandes públicos, e pode ser explorada de formas mais específicas e talvez mais úteis aos buscadores realmente vocacionados para um caminho tradicional. Portanto, decidi escrever este texto onde abordarei de uma forma mais concisa essa questão, dando mais espaço ao que pode ser dito de uma perspectiva propriamente bruxa e listando fontes de estudo ao final de cada parte para quem deseja se aprofundar em algum dos aspectos abordados. Como sempre, é bom começar lembrando que essa é a minha visão, baseada em minha história e estudos, e ela (assim como nenhuma outra) jamais esgotará o assunto.