Por Draco Stellamare
Tempos atrás eu escrevi um texto sobre bruxaria hereditária intitulado “quando a verdade se torna mentira”, disponível aqui no blog. O intuito era justificar que apesar de muitas nuances complicadas inerentes ao tema, existem sim linhagens de bruxaria dentro de sucessão familiar e (até então) desassociadas do movimento ocultista moderno. Contra a minha vontade, o assunto se repete constantemente em nosso meio, e como eu agora possuo iniciados que levam em boa-fé essa tradição para além da minha pessoa, penso ser justo com os descendentes leais fornecer algum terreno maior para argumento de legitimidade, caso precisem no futuro. Outro aspecto do assunto é permitir que os futuros iniciados tenham como honrar suas raízes, podendo em algum nível falar sobre elas se desejarem. Assim, o motivo desse post é permitir que meus descendentes tenham mecanismos de justificar sua história se necessário e também honrá-la conforme acharem adequado. O que direi a seguir é sobre nós, Stellamare, e não tem relações diretas ou indiretas com quaisquer outras sendas de bruxaria que não a nossa.
Desde que comecei a interagir nessa comunidade virtual por
volta de 2014, procurei falar das coisas como eu melhor as compreendia no
momento, e isso sempre envolveu de algum modo o caráter orgânico, rústico e
católico-folclórico da minha linhagem – um que eu busco preservar apesar de
opiniões contrárias que vem de fora.
Tive inúmeros envolvimentos com outros caminhos ao longo dos
anos, mas o fio que eu puxo sobre minha ancestralidade permanece o mesmo desde
então. Vamos ao que pode ser encontrado neste sentido:
A parte de minha família que possui o legame de
bruxaria propriamente dito – entendida em gerações passadas como pouco mais que
uma benção “tramandata” (passada de pessoa a pessoa) ao redor de alguns mitos e
práticas – provém dos arredores de Annone Veneto (Danón, em friulano),
Motta di Livenza (mais especificamente distrito de Villanova) e Fontanafredda,
Ao chegarem ao Brasil ficaram na colônia italiana de São José do Rio Pardo/SP,
depois viveram em Quintana/SP, depois Marília/SP, e por fim o meu ramo em
especial veio para o ABC paulista.
A “macro-história” desse lado da minha família – aglutinado em volta do sobrenome Palù, que significa “pântano” – foi publicada em detalhes na obra Italianos no Novo Mundo, disponível na Amazon em formato físico e digital. A obra foca em um ramo distante de minha árvore familiar que imigrou da Itália para o Paraná décadas antes do meu ter imigrado da Itália para São Paulo, porém contém todo o mapeamento genealógico levantado até a publicação (em 2012), o que inclui meu nome civil (até então sem o acréscimo do nome de minhas avós), bem como o nome de meus pais e avós.
Nesse
livro são mencionados en passant o “culto ancestral” realizado
todas as noites pelos nossos Antigos, bem como benzimentos de nossa raiz que
foram mantidos pelo ramo responsável pela publicação e crenças pontuais sobre a
espiritualidade que dialogam com o que vivenciei.
A título de exemplo, trago uma citação da obra a respeito das
rezas obrigatórias do rosário às causas familiares e aos antepassados, diante
do fogão (o antigo focolar friulano):
O fogão era o centro de atenção familiar, fazendo
da noite um momento de reflexão e de integração, ainda que, não raras vezes, em
absoluto silêncio e sem trocar uma única palavra.
Antes do jantar, uma oração de agradecimento pela
comida, seguida da distribuição do alimento (...)
O dia era concluído com a oração do terço em
família. Como consequência do trabalho pesado da lavoura, durante o dia,
enquanto rezavam antes de dormirem, os adultos permaneciam curvados sobre uma
cadeira, para sustentar o peso do corpo e o cansaço. As crianças ora rezavam
ora bocejavam, até eventualmente dormir. Ao fim do terço, eram rezadas outras
tantas orações para os familiares distantes, os doentes, os
"defuntos", uma boa colheita, saúde e, finalmente, a ladainha.
Estima-se que esse costume foi desaparecendo aos poucos, em virtude da entrada
do rádio e. posteriormente, da televisão, nas casas das famílias.
- Página 180
Registro da estrutura do antigo focolar das casas friulanas.
Foto que fiz na exposição do Museo Etnografico del Friuli em Udine, em 2022.
Já sobre o temor reverencial do conglomerado de nossa família aos
antepassados, vivo na Tradição ainda hoje principalmente em relação aos “Antigos”:
Desrespeitar os pais era sinônimo de ser infeliz,
estar "desgraçado para a vida". Sim, pois pedir a benção paternal e
maternal, antes de dormir ou quando se levantavam, era um hábito formal dos
filhos, até mesmo em idade adulta. Curvavam o corpo lentamente à frente, e
dobravam um joelho ao mesmo tempo em que beijavam a mão do pai, pedindo a sua
benção.
Esta forma austera fez surgir uma grande veneração
e respeito para com os familiares mortos, sempre lembrados em orações e missas.
Muito mais que respeitá-los, tem-se a impressão clara de que continuavam a
temer o pai, mesmo após a morte. Não venerá-lo poderia implicar em "ser amaldiçoado do alto".
(...)
As maldições serviam, também, para aqueles que
tinham faltado com o respeito aos seus pais, surgindo o dito que "quem não
respeita o padre e os pais, por eles é amaldiçoado e caminha de ré na
vida". A devoção "às almas do purgatório" era amplamente
divulgada porque, estando elas próximas ao céu, poderiam interceder em
particular pelos necessitados, já que supostamente entendiam melhor dos
sofrimentos da terra por já terem passado por situações semelhantes.
Embora os imigrantes frequentassem a igreja e
acreditassem em Deus, tinham sua forma particular de entender certos dogmas da
igreja. Nos casos de morte por brigas, julgavam que a alma do morto permanecia
no local e aparecia às pessoas. Se alguma coisa sumisse, diziam que "eram
as almas que tinham levado" e que, para o objeto aparecer, era preciso
rezar por elas. A crença de muitos era de ver seu ente no caminho, sentado na
casa e acreditavam vê-los em determinadas situações.”
- Página 187
Nas suas origens, a linhagem masculina dos Palù remonta a
saqueadores que, por prestar serviços de salvamento à família de Canossa – os
então governantes do Grão-Ducado da Toscana – receberam (em meados de 1100 d.C.) um título de nobreza e a
terra de Crovara, entre os atuais Emilia-Romagna e Veneto. A localidade se
erguia entre dois rios tidos como “místicos”, e era referenciada como La
Palude (o pântano), de onde veio o nome dado à família. Com o passar dos
séculos, os filhos destes Palù originais foram levados às Marcas em campanhas
militares, até chegar ao Friuli, deixando topônimos que podem ou não ter
relação com a linhagem familiar. É um consenso, contudo, que todos que possuem
o sobrenome dividem uma mesma origem que nomeou diversos locais de água abundante.
No século XVIII, já não havia mais registro de membros da linhagem que ainda
pertencessem à nobreza. O abandono pelos Palù originais da terra de Crovara, e
a perspectiva de renascimento da terra e do sangue, foram objeto de uma antiga
poesia da Reggio-Emilia, cuja tradução trago abaixo:
Outros, por força de
natureza ávara,
Compelidos pelo ouro ou
pelo tesor desejoso,
Com ofegante passo
corajoso
Te procuravam, ó monte de
Crovara.
E de Tassaboio a onda
calma e clara
Dominando o Tassàro
impetuoso,
Entre as ruínas procuro
sem sossego
Antigo nume ou gema oculta
e rara.
Mas torno desiludido, qual
cinza morta dos Senhores de Palù
A riqueza e o poder
Sucumbem ao tempo que
todas as coisas envolve
E onde a coruja canta na
noite escura,
Se o sol ameno beijar as
colinas de Enza,
O rouxinol cantará um hino
à Primavera.
– Brenno P.G. Colli, Aure de l’Enza
Sobre o passado da linha iniciática na Itália, o resquício hipotético mais remoto que encontrei foi o processo inquisitorial do benandante
Andrea Cattaros – transcorrido em Annone Veneto –, que menciona pessoas de
mesmo sobrenome que alguns dos nossos antepassados e sugere a existência de uma
“congrega” ou “quadrilha” de mulheres e homens que praticavam a strigaria,
e relacionavam-se com praticantes de outros locais. Foi por conta deste caso e
das dinâmicas entre bruxos e bruxas da área liventina do Friuli que encontrei os
casos de Aquino Turra, Lucrezia Montereale, Aurora de Rubeis e Maddalena
Locatelli, mencionados em alguns de meus artigos publicados.
Durante anos pesquisei com afinco a história dos
Benandanti e dos Malandanti, dado que eles são o passado real e palpável das
tradições mágicas mais importantes do Friuli, das quais a minha linhagem
familiar descende. Nesse processo, terminei por encontrar um caso singular em
que tanto a hereditariedade bruxa quanto a condição de benandante parecem ter
recaído em uma mesma pessoa. É o caso de Andrea Cattaros, um benandante
friulano processado pela Inquisição em 1676 na cidade de Annone Veneto, chamada
Danón pelos habitantes locais, uma cidade que fica nos confins entre as
províncias de Pordenone, Veneza e Treviso, e que é uma das cidades da região
liventina (na planície vêneto-friulana) de onde provém o ramo de minha família
que legou à diante a stregoneria.
(...)
Enquanto Andrea denunciava abertamente as bruxas,
elas tramavam uma vingança. Após o benandante ter supostamente desfeito um
feitiço lançado por Adriana Sartorel contra um de seus desafetos, a bruxa
preparou para ele uma emboscada na estrada que ligava Annone Veneto ao povoado
de Corbolone. Auxiliada por suas cúmplices, Adriana tentou matar o rapaz com
uma enxadada na cabeça, surpreendendo-o por detrás de um arbusto, mas foi
impedida por pouco graças à intervenção de Battista del Vecchio, que viajava com
Andrea na ocasião. Se por um lado a combatividade de Andrea estava levantando o
ódio das bruxas, por outro lado a Igreja era cada dia mais pressionada a
intervir para conter a perturbação da ordem pública. Cada vez mais preocupado
com os efeitos das declarações de Andrea contra as bruxas e – curiosamente –
nem um pouco interessado em averiguar a escancarada presença da bruxaria na
comunidade, o pároco Don Marignani inicia então um efusivo processo de
repressão às atividades do benandante.
– Citações de meu artigo Um Benandante entre as
Bruxas, já referenciado neste blog.
O caso sobre o qual escrevi me leva a uma conclusão que incluí no referido artigo, além de outros que seguiram a mesma temática:
A trama
de Andrea Cattaros e das bruxas de Danón parece prenunciar um fenômeno que,
embora fosse já existente no século XVII, foi se consolidando cada vez mais na
stregoneria friulana dos séculos seguintes. Esse fenômeno é a coexistência da
bruxaria diabólica e da magia católica popular – o famoso catolicismo
folclórico – nas mãos dos mesmos praticantes. Enquanto nos séculos passados se
poderia ver com maior nitidez uma separação entre diabolistas e cristãos
heréticos (dentre os quais estavam os Benandanti), a tendência em registros
posteriores é a da confusão cada vez mais frequente das duas realidades, a
ponto de tornar aquilo que os bruxos ingleses chamam de Veneração das Duas Mãos
uma realidade quase que generalizada. Emblemática em atestar a representação
desse fato no conhecimento folclórico é a antropóloga friulana Lea D’Orlandi,
ao constatar que um dos mitos mais conhecidos sobre as bruxas na região é
aquele segundo o qual elas estão sob a proteção e patronato da Virgem Maria. Essa
confluência do pacto diabólico e da associação com a Mãe de Deus é um paradoxo
que encontra reconciliação numa cosmologia própria embasada em mitos próprios:
uma bruxa teria auxiliado a Madonna a esconder o menino Jesus dos soldados de
Herodes durante a fuga para o Egito, e assim ganhado o favor da Rainha do Céu.
Como dizem sobre as bruxas no dialeto da baixada vêneto-friulana: le xe potenti
e ancora protete da la Madona, “elas (as bruxas) são poderosas e ainda hoje
protegidas pela Madonna”. Seguramente, tais mitos funcionaram como formas de
justificar a manutenção paralela de práticas do catolicismo herético e do
diabolismo de modo que fossem coerentes ao próprio praticante. E por sua vez, a
utilidade de fazê-lo vincula-se não somente à necessidade de sobrevivência em
um meio social profundamente cristianizado, mas também na somatória de
conhecimentos e acessos espirituais que, tratados da forma correta, se somam ao
invés de se conflitarem. Acredito também que a possível convergência da
condição dos Benandanti e da hereditariedade bruxa nos mesmos indivíduos, como
pode ter sido o caso de Andrea Cattaros, certamente contribuiu para que esse
processo de construção de uma “veneração de duas mãos” se fortalecesse e se
perpetuasse.
Como cito no meu texto Os Mortos Poderosos na Bruxaria:
À luz do
conhecimento de que práticas “de bruxaria” e a crença fidedigna na bruxaria
como fenômeno espiritual persistiram entremeadas à magia folclórica da região
vêneto-friulana, sendo mencionadas em inúmeros estudos do final do século XIX
em diante – a título de exemplos trago os trabalhos de Valentino Ostermann, Lea
D’Orlandi e mais recentemente de autoras como Elena Righetto e Monia
Montechiarini – e compreendendo que dentre essas práticas existem os elementos
de transmissão de legame, ligame ou l’pasagio dei pignatèi (todos termos que
fazem referência à iniciação e passagem de uma corrente de poder), a conclusão
óbvia é a de que ao menos indiretamente as linhagens de bruxaria – que se
entendem como linhagens e não como mero ajuntamento de conhecimentos – remetem
às práticas das sociedades bruxas dos séculos XV a XVIII. Ocorre que nem sempre
– ou ao menos não antes das influências inglesas e francesas do revival
ocultista chegarem – havia a preocupação em manter registro de linhagem
iniciática. Mesmo entre as bruxas históricas esse era um tema profundamente
negligenciado, apesar do relevante papel dos ancestrais e mortos em geral na
maioria das vertentes. Entendo que não se pode julgar isso com valores
hodiernos, afinal, o que importava era o poder e a obtenção do que se desejava
a nível material ou transcendental (...).
Da forma
como o estudo contínuo, a vivência e a rememoração do que ouvi da oralidade me
levam a pensar, acredito que a vasta maioria das linhagens bruxas que já
existiam durante o período da bruxaria histórica na área vêneto-friulana
passaram por um processo de “encruamento”, regredindo do estágio de maior
exposição ante o olhar da população local e de maior associação com outros
praticantes para um estágio de maior discrição, em que as práticas foram
silenciadas dentro de casa, entre membros da família e amigos íntimos, quando
não até descaracterizadas da sua autoconsciência enquanto tradições de bruxaria
per se – afinal, se nem mesmo os próprios praticantes se identificam com o
ofensivo termo strega ou striga, as chances de desestimular a perseguição
externa são maiores. Aquilo que em 1600 se autodeclarava strigaria – não sem
alguma discrição – e detinha alguma autonomia externa passou a estar entremeado
às “coisas que fazemos dentro de casa e que não devemos contar ao padre”. Assim
o teor esotérico, evidente de inúmeras formas na antiga strigaria, foi se
tornando mais e mais soterrado sob o folclore e o sigilo das práticas
familiares.
Os membros mais velhos da nossa linha ascendente que pude
confirmar nasceram em 1814, sendo os pais de meu tetravô Angelo, também
nascidos em Danón.
Antes disso somente a pesquisa local nas paróquias italianas
pode descortinar a genealogia, devido a uma lacuna existente nos registros da
região entre o Estado Napoleônico e o que veio antes e depois dele. Também
falta pela oralidade a informação acerca de qual lado a “benção” do legame
teria vindo. Isso supondo que ela sempre esteve em linha familiar ininterrupta,
o que pode não ser o caso – aliás geralmente não é.
Quanto aos eventos do interior paulista até minha criação,
meus iniciados têm acesso ao testemunho registrado de alguns familiares sobre
as mesmas histórias que ouvi ou testemunhei, e alguns deles já conheceram estes
familiares presencialmente. Dentre as histórias confirmadas por eles estão o
caso do livro com os mitos e receitas que foi queimado, de minha noninha usando
pimenta na boca para praguejar os inimigos e rezando nua na beira do poço, dos “strigamentos”
que se materializavam quando havia troca de maldições e a prática dos
benzimentos per se. Também há os testemunhos sobre os transes de voo
espiritual e demais acontecimentos envolvendo minha avó, transmissora da bênção
e dos mitos. Os membros de minha descendência podem confirmar isso, embora eu
prefira que não exponham mais do que o que eu mesmo exponho, em respeito aos
juramentos.
Particularmente, abundam histórias sobre a associação de
minhas matriarcas Marietta e tia Vitoria com outra famosa benzedeira da região
chamada Isabella (de apelido dialetal Bèa) e com uma médium espanhola chamada
Inês. Pode ser que na região onde viveram no interior ainda existam tais
relatos. Posteriormente a essas pessoas, as descendências de minha tia Vitoria
e de minha avó envolveram-se com espiritismo, umbanda popular, omolokô e
candomblé. Até onde sei somente minha avó Assunta (e muito parcialmente um de meus
primos que já beira 80 anos de idade) preservaram as histórias e alguns
costumes espirituais do que considero nossa tradição. Desconheço, portanto, até
que ponto outros ramos descendentes dessas pessoas que partilhavam vivências em
Quintana/SP tenham autoconsciência sobre o que era praticado.
Tal como no presente apenas eu e mais dois familiares aceitam
de algum modo a nomenclatura “bruxa” para o que vem de nossa ancestralidade,
outras pessoas ligadas a essas raízes certamente terão resistência em falar do
assunto nestes termos. Existe um motivo (o contexto social) pelo qual uma parte
das práticas é reclusa e pelo qual o termo “bruxa” e correlatos era
extremamente pejorativo, mesmo entre aqueles que faziam coisas classificadas
como bruxaria. Qualquer análise do passado ou do presente precisa considerar
esse contexto.
Da outra parte de minha família, a paterna, vem benzimentos,
amuletos e costumes ligados a culto das almas e celebrações dos santos,
próprios da magia popular comum dos italianos, que usualmente não envolvem stregoneria
per se. Vieram com minha trisavó, de Rossano na Calabria, cuja filha adentrou
por casamento uma família oriunda de Vicenza e terminaram em Minas Gerais, em
Guaranésia, e depois no Brás e no ABC Paulista. O jornal local noticiou minha
bisavó em seu falecimento como uma notória benzedeira que atraía pessoas de
longe e fazia grandiosas festas devocionais aos santos.
Poupei os demais sobrenomes de minha parte materna e os nomes
de minha parte paterna porque diferente de mim há muitos frutos dessas raízes
que não entendem ou não querem se associar publicamente ao universo místico,
mesmo em seus aspectos mais simples. Mas com toda certeza o que evidenciei é
mais que suficiente para quem um dia precisar saber onde procurar.
Isso é o que posso oferecer aos meus como argumento sobre as
raízes da Tradição Stellamare a utilizar externamente. Aos futuros descendentes
e a eventuais curiosos: faço votos de que descobrindo mais alguma informação
relevante me avisem!
Como o título que dei a este texto, que é uma frase costumeira
de nossa Congrega, a nossa força reside na verdade, e somente ela pavimentará
um caminho de honra e real sabedoria.
Espero que nossos iniciados e leitores amigos jamais se
esqueçam desse conselho, e que a Senhora os abençoe na jornada.
Representação da Madonna dei Miracoli, de Motta di Livenza, aparecendo na bifurcação em Y, tal qual em um dos mitos de nossa Tradição. |
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